Latente
A paralisia que me vem em alguns momentos ataca vertiginosamente meu íntimo. De toda a singularidade que me envolve ou me compõe, da atmosfera que me suga, das angústias que me moldam, sou nada, ora sou tudo, mas quase nada se transporta a mim como deveria. Os dias parecem me engalfinhar, e com suas presas afiadas me dilaceram e me fragmentam. Meus olhos me ocultam, me elevam, me escondem. O medo tão longe aparece no horizonte e junto com ele vem a solidão e toda a sensação de intensa impotência, de total ilusão.
Vem-me a mente sonhos, voltam ao consciente dores e problemas, a fragilidade me entope. Não queria que esse escuro tomasse conta de mim nesse momento. Do profundo êxtase que me toma, da total prostração que estás a retornar em meu frágil corpo. Teimo em andar calmo, paciente, junto com a brisa que transcorre lentamente. O que há com o mundo, o que há comigo? Caminho sem direção, retrógrado em cada passo, então me enfureço e me padeço, caio no chão, me faço morrer, para poder enfim poder renascer. Sou pão, sou água? Chega de simbolismos; eu sou carne.
O cerne do conhecimento foge de mim, a luta que travo comigo mesmo me fere, me castiga ferozmente, mas sempre saio ganhando, e sempre saio perdendo. Tudo não passa de passado, tudo isso que me dissipa e me enclausura numa profunda reflexão. O tímido sorriso que desponta da minha face apenas é reflexo do melhor que há em mim, e quando fecho os olhos, a dor latente da profusão angustiante que me assola se aniquila pelo ar, soltando faíscas, me entorpecendo, me engalfinhando na linha tênue da inconsciência. Então desfaleço e minhas forças perenes se acalmam. Reconheço e vejo uma brilhante luz no fim do túnel. Ilusão?
Só se eu acreditar...





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