Quarta-feira, Março 29, 2006

Eu Gosto de Verdade

Já conheci várias pessoas nesses meus 20 anos, algumas sumiram com o tempo, estão distantes, faleceram, ou simplesmente nós paramos de se falar. Nem todos eu gostei realmente, ou simpatizei, mas muitos eu verdadeiramente gostei. Agora esse “verdadeiramente” é que me intrigava durante anos, e o tempo me fez repensar diversas vezes a forma como gostamos de uma pessoa. Hoje mais maduro posso ter certeza do que digo, claro que em base no que a vida me ensinou.
Quando conheço alguém normalmente simpatizo logo, às vezes sem motivo nenhum, só por olhar mesmo. Por muitas vezes parava e julgava, ou então ia muito pela aparência. Hoje isso diminuiu bastante, e está praticamente extinto. Mas agora vejo além. A vida me mostrou muitas particularidades mesmo, e hoje tenho respostas para algumas coisas. Compreendo e tolero mais, e digamos que meu coração se abriu mais.
Não é o fato da pessoa ser linda, se vestir bem ou ter dinheiro que me faz gostar dela, não é simplesmente por receber elogios, ganhar agrados ou ela me interessar de alguma forma, mas é algo muito mais além disso, algo bem mais nobre. Eu gosto verdadeiramente de todas as pessoas, não porque são aquilo ou têm aquilo, mas por serem elas mesmas, com seus defeitos e qualidades, e por serem como eu, humanas. Às vezes consigo ver além das aparências, e independente de qualquer coisa eu busco nessa pessoa seus pontos fortes, o que eu chamo dos valores importantes que devemos suprir de cada alguém de nossa relação. Ao invés de denotarmos seus defeitos, porque não mostrarmos suas qualidades, e com algum jeitinho, consertando um pouco dos defeitos. Não devemos tocar nos “espinhos”, porque tanto como nós a pessoa se machuca, e sim, admirar a rosa que está dentro de cada um. Afinal, também temos espinhos, e antes de julgar, julgue-se. Ninguém é melhor que ninguém, todos somos falhos, todos somos humanos. Evoluímos a cada segundo como pessoa, e estamos propensos a acertos e erros.
Posso às vezes ser estranho, reservado, mas valorizo todos que eu conheço até quem não me conhece ou não conheço. Agora não quero me tornar superior (por favor, não interpretem isso), apenar falar o que sinto por todos os meus amigos e familiares. Acho que existem coisas mais importantes para se admirar na vida, e não são as coisas materiais. Se pararmos um pouco pra pensar e lembrar de cada amigo ou conhecido com qual nos relacionamos, notaremos que a vida é um presente, e as pessoas ao nosso redor são um tesouro que devemos guardar bem, muito bem, no lado esquerdo do peito. Acredito que muitos gostam realmente de mim, apesar de nunca alguém ter se confessado. Agora eu faço questão de falar para todos que eu os estimo muito, e que são muito importantes para mim.
Ainda tenho muito a aprender, e espero sinceramente angariar mais experiências, e saber a cada dia como gostar realmente de alguém. No mais, continuo minha vida, tendo certeza que já fui agraciado, ao ter os amigos que tenho.

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ALF

Sexta-feira, Março 24, 2006

Um Amor, Uma Mulher

Nos meus devaneios, suspiro, me acalmo e padeço no chão. Choro pedindo que essa mulher apareça. Me angustio, dando voltas na calçada, ando, ando e ando, sem rumo, à procura dela que nunca apareceu. Cadê esse anjo que me abraçará, me dará carinho, estará perto de mim quando tiver sucesso ou fracasso, ela que tanto quero?
A ânsia me domina, desejo encontrar um amor, uma MULHER, que eu possa afagar, beijar, sentir seu aroma, contemplar sua imensa beleza, delineá-la, tocá-la e dizer “você é minha”. Fico à procura desse anjo, desse monumento, dessa pessoa que me energizará, me fortificará de tal forma que ganharei mais vida. Pelos caminhos procuro sem sucesso, pelos olhos idealizo-a, pelo corpo a sinto, longe, mas sinto. Cadê você mulher, que me tirará da agonia, me libertará da solidão, me curará da depressão, limpará minhas lágrimas, que sumirá com minhas tristezas, erradicará meus defeitos e fará esquecer os meus problemas, elevará minhas virtudes. Onde está você mulher que me fará viver. Os filhos que terei com essa mulher, as vidas que viveremos, as brigas que brigaremos, os obstáculos que atravessaremos, as derrotas que sofreremos, os sucessos que ganharemos, os amigos que iremos conhecer, os netos que nascerão, a velhice que virá, a eternidade que nos matará, mas o nosso amor pra sempre continuará.
Procuro essa mulher que terá a doçura do mel, a beleza das paisagens, a delicadeza de um beija-flor, o aroma de uma flor, a espontaneidade de uma criança, o vislumbre dos céus, uma pele de porcelana, os olhos das águas, o mistério da noite, o brilho das estrelas, a energia do sol, o encanto da natureza, a sedução dos ventos. Que terá alma impoluta, formas divinas, irradiará carisma, chorará alegria, sorrirá afeto, piscará paz, beijará amor, abraçará saúde e matará saudades. Ela que será a personificação da beleza etérea e infinita, ela que será perfeita.
Quero esse amor, quero viver esse amor, quero senti-la, beijá-la abraçá-la e fazê-la mulher. Simplesmente quero.
Anseio por um amor, uma mulher, mas sinto-a mais distante e oculta. Na minha serene existência, percebo que o tempo passa e ela nunca aparece, essa mulher que um dia me fará feliz, que me completará, ela que será metade de minha alma. A cada dia espero, e espero, sem mais força, sem mais nada, e ignoro a vida, fico sem vida. Então ali acuado, olho para o horizonte e então para tudo ao redor que me cerca e desfaleço, e enfraqueço, afinal não vale a pena viver no paraíso sem o amor.


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ALF

Segunda-feira, Março 20, 2006

Calmaria

Às vezes me ataca uma calmaria sem precedentes, e o acalanto desse momento de paz me ilumina. O silêncio ensurdecedor me extasia de uma forma primordial, que todas as sensações parecem flutuar ao meu redor. Não me mexo, fico inerte nesse ínterim, e as coisas mais simples florescem à minha vista. Vagamente intercalo todos os meus sensores da alma, para poder sentir algo conflitante, ao mesmo tempo subliminar, que me possa carregar de volta para o meu mundo, o mundo cão, o urbano maldito, e todas aquelas bizarrices da realidade. Quando percebo que essa saída fica distante, tudo me vem à mente: Assuntos inóspitos, outros irritantes, ou então lembro de coisas desconexas. Mas sempre acabam sumindo totalmente. Minhas concepções somem, minhas idéias simplesmente se escoam por um ralo sem fim, e o vazio me domina. A grande maresia de tormentos se anula, e o sabor da vida me envolve, gratificante, envolvente de tal maneira que me faz levitar. Então vou pairar numa realidade alternativa; um real imaginário, capaz de ser tão físico quanto o real do real. A minha paz interior se infla, então fico forte, e as idéias começam a aparecer de novo. Milhões de imagens de diversos assuntos me afligem, e chegam a me “engasgar”. Esse além das coisas segue rumo na diversidade de minhas interpretações mentais, onde posso renovar meu saber, meu inconsciente, e minhas capacidades voltam céleres, com as tolas multiplicidades de uma mente insana. Quando então estou para chegar à iluminação, ao ápice total de minha evolução espiritual, o rompimento com essa desejada calmaria pelas mãos do destino sempre me machuca. Nunca consigui alcançar o topo da calmaria. Espero ansioso esse dia, o dia dessa ascensão. Então só resta voltar a viver no real mórbido, que cheira a carne podre. Novamente me torno cidadão de um mundo sujo, enterrado em falsas idealizações, onde cultivam falsos valores, e que fere minha personalidade. O desejo ardente de poder estar alheio às agruras inevitáveis desse mundo me castiga.
Agora me perguntem qual realidade eu gosto mais. Nem preciso responder.

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ALF

Quarta-feira, Março 15, 2006

O Êxtase - Último Capítulo

A Despedida

- Não acredito.
Estava em um salão descomunal, divino. Aquele lugar estava claro, parecia um grande salão, não sei o que fazia ali. Foi então que o silêncio foi quebrado quando ouvi passos. No momento que a perscruto, meus olhos começaram a arder muito. Novamente a luz. Minutos depois, pude notá-la e ela brilhava aonde parecia uma sacada. Aos poucos, inexplicavelmente a luz foi baixando e pude perceber uma silhueta de mulher, ainda assim, as sombras não me permitiam ver seu rosto. Enfim saberia o que, quem me extasiava.
- É admirável, e nota-se que você chegou longe, mas chega, vá embora. Será que não entende que não o quero próximo de mim.
Sua eloqüência me desanuviou. Fiquei inerte, calado. Por um instante achei que estava tendo alucinações. Eu sentia-me forte, perante a presença da luz, ou seria aquela mulher. Eu ficava extasiado totalmente, e é assim que ficava toda vez que a via, que nem naquele momento. Tentei dissimular algumas palavras, mas o seu tom incisivo me paralisou.
- Fico muito feliz em saber que existe alguém como você, determinado, forte, sentimental e romântico. Fico honrada em saber que me procura tanto. Também compreendo o porquê, embora você não.
Aquelas palavras soaram enigmáticas para mim, mas sim, eu a queria, simplesmente pude ter certeza que a desejava ardentemente. Evidentemente fui ligando alguns flashbacks que eu tive durante essas últimas horas. Sim, eu amava alguém, e a luz se intercalava nas minhas memórias que tenho da pessoa que amava loucamente, e que me extasiava. Sim, os cabelos... Eram delas. Virando os olhos para a mulher, pude então denotá-la toda. Sim, como me deixei enganar, não existia outra pessoa que me deixava naquele estado senão ela. Foi então que entendi tudo.
- Mas, você nunca me terá. Adeus. Inesperadamente ela se despediu.
Seu tom conclusivo me feriu muito, devido ao fato de ter compreendido totalmente aquele êxtase que vivi até ali. Logo, ela pulou da sacada e sumiu no infinito. Impulsivamente segui a musa e pulei também...
Caí no vazio.
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- Tchau, um dia a gente se vê. Ei, ei... acorda ALF. Eu disse tchau.
De repente eu acordava de um transe ou sonho. Parecia ter tido uma alucinação, e misteriosamente não me lembrava de nada. Muito estranho mesmo. Mas voltando a si, estava ali me despedindo da mulher que amava incondicionalmente. O cursinho chegara ao fim, portanto não a veria com tanta freqüência ou nunca mais. Fiquei ali admirando ela, talvez fosse a última vez que veria essa fascinante mulher. Dona de belos cachos loiros, tão bela, carismática, de uma simpatia sem fim, era um anjo que me fortalecia, me acalmava. E tinha esse poder, de me extasiar, fazer meu tempo parar quando estava ao seu lado, todos os meus problemas sumiam, meus medos acabavam, e só reinava a divina calmaria, a tão sonhada paz interior. Tão maravilhosa e linda que somente eu conseguia notar uma luz ao seu redor, algo sobrenatural provindo de Deus. Até hoje me pergunto por que vejo essa luz, mas quando não a vejo, fico totalmente no escuro, sem saber o que fazer, fico nervoso e meus piores pesadelos tomam conta de mim; eu fico de certa forma sem viver. Era triste ter que me despedir dela, meu coração sofria muito. Mas aceitei. Aceitei também o fato de que ela não me amava como eu a amava. Acabei largado num êxtase interminável; fiquei ali parado no tempo. Era só o início de meu êxtase temporal. Por quanto tempo eu sofreria esse êxtase? Adoraria saber.
- Tchau Tati. Um dia a gente se vê.
Aquela despedida foi tão dolorida que parecia que tinha morrido. Felizmente eu esperava que não fosse o último Adeus. Esperava...

Ps: Ao conheçer Tatiane Silva, tive certeza que o céu existia.

FIM (?)

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ALF

Sexta-feira, Março 10, 2006

O Êxtase - Capítulo 3

O Labirinto Negro

- Minha nossa! Como sairei daqui?

Eu sufocava naquele antro. Nem mesmo sei como fui para ali. Depois de ter quase me afogado, a memória daqueles belos cabelos me confundia. Minha cabeça doía muito, e aquele negro sombrio me assustava. Tateei no nada, até esbarrar numa parede. Fui deslizando, tentando encontrar uma porta ou saída naquele escuro absoluto. Meu êxtase me dominava.
- Não venhaaaaa!
Um grito ecoou do nada do outro lado da parede. Era um grito de mulher. Freneticamente me pus a bater forte a parede. Minha fúria fez escancarar uma porta (ufa!), e tão logo foi meu alívio, vi aquele clarão que tanto perseguia, a Luz fugia novamente por emaranhados de cavernas. Sem pensar corri atrás dela. Minhas passadas eram atléticas, ainda assim sofria com muitos buracos pelos caminhos. A presença da luz me dava forças, meus ânimos ficavam à flor da pele. Mas em determinado momento perdi de vista o clarão (sumiu do nada).
- Droga! Minha insatisfação era imensa.
Agora notei o quanto meus pés ficaram feridos. Tonto, fui andando sem direção, entrando pelas rotas sem pensar. Apesar de não estar tão escuro devido a uma pequena claridade de origem deconhecida, aquele labirinto negro tinha uma atmosfera horripilante. Parecia que estava vivendo meus piores pesadelos. Observei atentamente cada caminho. Depois de uma hora caminhando enfim me vi na borda de um rio. Do outro lado eu vi uma mulher, com rosto indefinível, mas com uma beleza sem igual, emanava uma paz muito grande, mas mexia a cabeça negativamente, como se inconscientemente dissesse que não era pra chegar perto. Algo me dizia que conhecia esta mulher. Neste momento cambaleei, e desmaiei. Então sonhei.
No sonho eu estava em uma escola (ao menos parecia, e me era muito familiar), e estava lá com várias pessoas, sentado, aguardando o inicio do que seria a aula. A dado momento uma pessoa entrou e me ofuscou os olhos, não sei explicar, era como se uma luz muito intensa tivesse adentrado o recinto. Então acordei.
Quando acordei, tentei me situar, estava tonto, lembrei do sonho e o achei difuso. Depois de um certo tempinho a minha visão foi ficando menos turva, e quando percebi onde estava, me acalmei. Sentia então que o fim estava próximo, e saberia o mistério que me afligia.

>>> (continua)


ALF

Segunda-feira, Março 06, 2006

O Êxtase - Capítulo 2

No Jardim

- Onde estou?

Então, abri os olhos. Foi um momento desolado, porque eu estava li sozinho admirando a bela relva que estava em minha frente. Minha face parecia baqueada, tentei me limpar de algumas lágrimas solitárias. A última coisa que me lembro foi de ter visto uma luz, e de um jeito tão subliminar que me levou a um êxtase temporário. A luz apareceu nas memórias mais nobres que tinha de uma pessoa amada. Isso me desconcertou, e minhas dúvidas só me inquietavam, afinal o que ELA tinha a ver com a luz? Para sair desse estado de animação, comecei a caminhar, observei atentamente o ambiente a qual estava, então fui dando passadas lentas, com uma profundidade intensa.
- Como fui parar Aqui?
A paisagem era linda, inspirava muita paz. É como se estivesse nos meus melhores sonhos, e não precisasse de mais ninguém. Suas belas árvores e plantações davam um ar divino, e o rio adiante límpido e cristalino ofereciam uma alegria simplória, porém gratificante. A presença dos pássaros, voando e cantarolando, se enamorando eram um espetáculo à parte. Aos poucos fui me acostumando ali (e quem não ficaria?), e logo percebi o quanto era imenso ali quando me deparei com um largo campo florido, era um jardim magnífico. Instintivamente me deu uma louca vontade de correr nesse jardim, algo me impelia a ir lá, uma força sobrenatural. Corri. Minhas fraquezas sumiram, minha alma voltou a brilhar, e enfim me sentia vivo. Por um momento sentia que o tempo tinha parado, eu estava completamente em êxtase. Foi nesse momento que senti uma brisa, cálida e positiva. Logo em minha frente eu vi uma Luz intensa passar ligeiro, e tão forte que me cegou por uns instantes.
- Ei, quem é? Instintivamente perguntei.
Logo que pude enxergar, eu notei que na beira do rio tinha uma luz intensa, e ela me atraía. Curiosamente nem perguntei nada, e segui até ela. No momento que me aproximei dela, ela numa velocidade incrível, se afundou no rio. Agora, como que de reflexo eu também pulei. Nadei até não agüentar mais. Foi então que eu vi umas imagens na minha mente, eram cabelos, lindos, eram loiros cacheados. Exalava um perfume hipnotizante. No momento que ela virara o seu rosto, onde poderia reconhecê-la, tudo sumiu. Apareci num local totalmente escuro, de um negror apavorante. Deitado ali, estava presenciando uma calmaria indescritível, porém o escuro me metia medo. Então me vi novamente perdido em meus êxtases pessoais. Me agachei e fiquei revendo a imagem dos lindos cachos loiros. Alguma coisa me dizia que já tinha visto antes. Mas de quem era?
- Agora pra onde ir?

>>> (continua)


ALF

Sexta-feira, Março 03, 2006

O Êxtase - Capítulo 1

A Luz Misteriosa

- Quem está aí?

Descobri então uma luz, brilhando intensamente, e observei atentamente, com muito custo, sua delineação. Eu estava em silêncio, e algo me dava forças, algo misterioso, solitário. Era uma sensação muito boa, de clímax total, indescritível, de emanações sedutoras. Meus medos sumiam, minhas preocupações desapareciam, e parecia que eu vivia em perfeita sinuosidade, liberto, salvo. O mistério tomou conta de meu frágil ser, e segui a luz, que começou a vagar sem rumo.
- Volte Aqui. Clamei piedosamente.
Corri, percorri todos os escuros que me atacavam, todas as sombras do pecado, pulei obstáculos, desviei dos perigos, mas ela continuava se movendo mais ligeiro. Sua celeridade me espantava. De repente sumiu. As lágrimas começaram a despontar em meus olhos, e novamente me vi fraco, incapaz de viver, com a alma ferida, vivendo num substancial frágil. A força motriz que me carregava tinha sumido, simplesmente fugiu de mim. Esse mistério insólito me deixou mais inquieto, todavia prostrado, enclausurado. Apesar desse atenuante ter passado, fiquei ali jogado, extasiado, tentando entender o que acontecera comigo. Mas era inútil, as sombras me cobriam (e encobriam meus prantos), elas me desfaleciam.
- Cadê você? Num intuito de me iludir, eu a procurava.
Na minha mente vieram imagens desconexas, confusas, e ouvi frases, gritos, e lamúrias, e passagens da minha vida vieram fatais, ao mesmo tempo salvadoras. Essa intercalação mental me desorientou, e só o que deu pra definir foi uma luz, semelhante a que eu perseguia. Fiquei me indagando, porque isso agora? Mas uma coisa eu observei, essa luz não aparecia em todas as coisas que vi, somente nas memórias que tenho de uma pessoa. Então me arrepiei na hora. Logo, fiquei tonto e desmaiei. Meu êxtase acabava de começar.

>>> (continua)


ALF