Alguém Que Não Existe
Não adianta mais me iludir. Tem horas que me sinto muito só, tipo assim, trancafiado numa solitária. Conjeturo que talvez o meu modo de ser assusta algumas pessoas. Creio que o fato de ser assim tímido e reservado (até demais) me afasta lentamente das pessoas, e confesso que pra adquirir amizades é difícil. Esse meu estado de êxtase também me assusta. São nessas horas que me martela um desejo ardente de mudar, chutar o balde, e ser mais “solto”, despodurado, sem precisão de me preocupar com os outros (do tipo foda-se todo mundo) e assim ficar menos encabulado.Mas não, hoje sou um cara idiota, que liga para o bem dos outros, um romântico tímido que cheira a nostalgia, um fraco que nunca soube o que é amor, alguém que só sabe conjeturar, e acaba esquecendo dele mesmo... Até hoje indagações do tipo “alguém gosta realmente de mim?”, ou “será que devia mudar?”, “será mesmo que devia existir?”, me perturbam.
Por outro lado hoje eu reflito sobre mim mesmo e meus atos. Amar... ah como queria ser amado, ser querido, ser mais requisitado, poder ser o que não sou, receber um elogio, carinho. Desejaria sempre alegrar as pessoas, ser menos sentimental, e viver mais, agir mais e falar menos, saber separar os sentimentos, enfim, ser alguém “real” (esse conceito pra mim é diferente, quem sabe um dia possa explicar) e mais amigo. Agora, mudar é uma escolha que cabe unicamente a mim. Será que seria bom?
Por outro lado, o que me faz me impedir tal coisa é justamente o fato de ser o que sou hoje (admito que sou fraco também). Tenho um comportamento único, por isso sou especial.
Realmente tem horas que sou intragável, chato, inoportuno e implicante, e com comportamentos infantis. Sou desajeitado, falo sem pensar, e magôo sem saber às vezes. Mas afinal todos temos defeitos.
Perante tudo isso, eu sou um cara alegre, legal, simpático, tenho uma boa índole, um caráter confiável, um tanto ingênuo, mas carinhoso e sensível, pareço metido mas não sou, é que sou muito reservado mesmo, e extremamente tímido. Indiferente a isso, quando faço uma amizade mesmo, eu mudo totalmente e fico mais à vontade. A convivência ajuda nisso.
Confesso que é sempre mais fácil ver os defeitos do que as qualidades, e eu atualmente procuro ver mais as qualidades. O valor das pessoas é mais importante que seus erros. Se apoiamos e gostamos a pessoa de seu jeito, o reconhecimento e respeito virão, e não haveria implicações ou brigas. Mas eu sei que isso ocorre raramente.
Eu vou caminhando à procura de um ideal, tantando entender o que passo. Continuarei expondo minhas idéias no blog (acho que vou batizar meu estilo literário de alfinista), e quem sabe assim poderei um dia sair do êxtase. Quanto a mudar, o tempo me dirá se valerá a pena. Só peço pra serem mais amigos comigo. Sinceramente.
Pelo menos perante à Deus eu existo.
ps: Pra que me enganar, eu sei que no fundo esse novo "real" não existe e nunca existirá, afinal nunca me tornarei em algo que eu não sou. Sempre serei eu mesmo, e a graça está aí.
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